Tentativa de Homicídio ou Lesão Corporal? A diferença que salva anos de liberdade.

Balança da justiça em equilíbrio delicado representando a diferença entre tentativa de homicídio e lesão corporal no direito penal brasileiro

Sumário

Tentativa de Homicídio ou Lesão Corporal? A diferença que salva anos de liberdade

No direito penal, classificar corretamente um crime pode significar a diferença entre anos de prisão ou pena mais branda. Muitas pessoas confundem tentativa de homicídio com lesão corporal, especialmente em casos de agressão com gravidade. 

Essa distinção, porém, não é apenas teórica: ela pode alterar substancialmente a aplicação da lei, o tipo de pena aplicada e as garantias processuais do acusado. A compreensão desses conceitos não é exclusividade de especialistas. 

Vítimas, familiares e acusados têm interesse direto em entender por que um termo e não outro define o curso de um processo criminal. Neste conteúdo, vamos destrinchar essas diferenças com clareza, exemplos e foco no impacto jurídico real, trazendo luz a um tema que literalmente pode salvar anos de liberdade.

A Casa da Cultura Jurídica atua com foco em defesa em casos de Tribunal do Júri e Habeas Corpus em todo o Brasil, justamente porque essa distinção influencia decisões que envolvem liberdade e justiça.

O que é tentativa de homicídio no Direito Penal brasileiro

No Brasil, o crime de homicídio está tipificado no artigo 121 do Código Penal. Quando o autor da conduta tenta tirar a vida de alguém, mas não consegue consumar o resultado por fatores alheios à sua vontade, configuram-se os requisitos de tentativa de homicídio. 

A lei considera tentativa quando a execução é iniciada, mas a morte não ocorre. O agente deve ter atuado com intenção clara de matar — o chamado animus necandi, que significa vontade de ceifar a vida da vítima.

A tentativa pode ocorrer em diversos contextos: disparos de arma de fogo que não atingem a vítima mortalmente, golpes com arma branca que não culminam em morte ou outros meios que demonstrem intenção letal. O elemento decisivo não é apenas o resultado — a vítima sobreviver — mas sim a intenção comprovada de causar a morte.

O que é lesão corporal segundo o Código Penal

A lesão corporal é definida no artigo 129 do Código Penal e consiste em ofender a integridade física ou a saúde de outra pessoa. Ao contrário da tentativa de homicídio, neste crime não há intenção de matar, mas sim de ferir, machucar ou causar dano ao corpo da vítima.

A lei brasileira prevê diferentes categorias de lesão corporal: leve, grave e gravíssima, conforme a extensão do dano físico. Em todos os casos, porém, o foco do tipo penal é a ofensa corporal, e não a retirada da vida. É fundamental compreender que mesmo danos físicos graves podem ser lesão corporal se o agente não demonstrar que queria matar. A intenção aqui é ferir — não matar a vítima.

Comparação detalhada: intenção, conduta e resultado

A principal diferença entre tentativa de homicídio e lesão corporal está no elemento subjetivo: a intenção do agente. Enquanto na tentativa de homicídio o agente age com dolo de matar — quer a morte ou assume o risco previsível desse resultado — na lesão corporal o agente deseja apenas causar dano físico, sem o propósito de tirar a vida da vítima.

Importante destacar: a gravidade das lesões sofridas pela vítima não determina o tipo penal. Uma lesão corporal pode ser gravíssima e causar danos profundos, mas se o agente não quis matar, não pode ser classificada como tentativa de homicídio.

Consequências penais de cada crime

As consequências penais variam muito conforme a qualificação do crime. A tentativa de homicídio, por ser um crime contra a vida, é punida com pena elevada. A pena prevista para homicídio simples no Código Penal é de 6 a 20 anos de reclusão. Na tentativa, aplica-se a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um terço a dois terços, conforme o artigo 14 do mesmo diploma.

Já a lesão corporal, dependendo da gravidade (leve, grave ou gravíssima), tem penas menores, geralmente variando de meses a alguns anos, e em regra é punida com detenção.

Jurisprudência e entendimentos dos tribunais

Os tribunais brasileiros têm consolidado o entendimento de que o que distingue um crime do outro é a intenção de matar. Essa linha jurisprudencial se apoia na definição legal de homicídio tentado — um ato claramente direcionado à morte, interrompido por circunstâncias alheias à vontade do agente — e na definição de lesão corporal — um dano físico que não tinha como objetivo a morte.

Isso significa que mesmo em casos de lesões graves, se não houver provas suficientes de que o agente optou pela morte da vítima, a acusação tende a ser de lesão corporal, e não tentativa de homicídio.

Situações comuns e armadilhas interpretativas

Casos típicos que geram dúvidas envolvem agressões com armas perigosas, brigas em vias públicas ou conflitos domésticos. Em muitos desses episódios, devido à intensidade da violência, pode parecer intuitivo falar em tentativa de homicídio. No entanto, sem a comprovação inequívoca da intenção letal, a tipificação correta é lesão corporal.

Advogados e operadores do direito sempre alertam que classificar antecipadamente pode levar a erros sérios. A narrativa dos fatos, provas e até depoimentos periciais ajudam a entender qual era o propósito real do agente.

Dicas de defesa técnica na advocacia criminal

Para quem está na defesa, é essencial trabalhar com provas que demonstrem ausência de intenção de matar. Isso pode incluir laudos, perícias, testemunhas e até contexto social ou psicológico do agente. Questionar a motivação inicialmente imputada e buscar desclassificação — por exemplo de tentativa de homicídio para lesão corporal — pode reduzir drasticamente a pena e alterar o regime de cumprimento.

Narrativas bem estruturadas e sustentadas por evidências objetivas fazem grande diferença na defesa penal.

O papel do Tribunal do Júri nesses casos

Nos crimes dolosos contra a vida, incluindo homicídio tentado, a competência é do Tribunal do Júri. Essa instância é formada por jurados leigos que decidem sobre fatos e circunstâncias. Já a lesão corporal, sendo crime comum sem natureza dolosa contra a vida com intenção de matar, normalmente tramita em varas criminais comuns.

Entender essa diferença de competência é decisivo para a estratégia de defesa e até para a escolha de recursos jurídicos.

Como evitar complicações legais desde o início

A melhor forma de evitar complicações jurídicas é procurar um especialista em Direito Penal logo no início do caso. Uma avaliação técnica pode prevenir enquadramentos errados e orientar a coleta adequada de provas. Quanto antes a defesa atuar, maior o potencial de mitigar consequências severas da acusação.

A atuação preventivamente orientada, contando com profissionais experientes como os da Casa da Cultura Jurídica, é uma das formas mais eficazes de preservar direitos e liberdade.

Dr. Filipe Costerus

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Filipe Costerus

Advogado Criminalista Especialista em Habeas Corpus & Tribunal do Juri

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